Morcegos mutantes
22 de setembro de 2020. O apocalipse
aconteceu como Dark previra. Apenas alguns humanos sobreviveram. Não era preciso
um acidente nuclear para que restasse apenas alguns milhares. A humanidade
sofreu queimadas em suas florestas, tanto naturais quanto propositais. Ou
seriam todos propositais, já que violaram o curso natural do ambiente? Depois
das queimadas, veio o vírus, o tal de coronga, ou era cornona, não, era corona.
Essa coisa acabou com praticamente toda a humanidade porque os bestas não
conseguiam aquietar o cu em casa. Enfim, continuando a história... Teve o
acidente nuclear lá, mas não foi todo esse alvoroço não. Nem tinha mais gente
pra morrer, então só levou meia dúzia de gato pingado e deixou uns bichos meio
estranhos. É aí que mora o problema, criançada!
Tava todo mundo lá tranquilo de noite, se
reproduzindo, comendo as plantações, quando aparece um bicho estranho que
pisca. Já não bastasse o bicho piscar, ele voava super rápido. Vocês não
acreditam? Pode confiar no pai, eu não minto, meu compromisso é com a verdade. Voltando
ao assunto, estava lá, eu todo formoso, fazendo o que faço de melhor: comer e
proteger geral. Como tava tendo essa história de bicho com visão de laser, era
o meu dever ir pra lavoura toda noite e cuidar que ninguém se machucasse.
Certa noite, estava eu tranquilo, voando
à toa, já que tava um silêncio e uma brisa calma, quando ouço um ZUUUUM. Rapá,
o susto que eu levei! Mas mantive a postura porque se os outros me virem
afetado, começa o surto. Era o tal do bicho, mas não era qualquer bicho, era o
maior morcego que eu já vi na minha vida! Aquele bicho parecia um transformer
de tão grande e brilhante. Com certeza a radiação daquela explosão afetou essa
coisa. O maluco parecia ser capaz de ver no escuro e até onde eu sei, morcego é
cego. A criatura era tão enorme e tecnológica que parecia o filho do Batman com
o Exterminador do Futuro.
Enfim, tava todo mundo correndo quando o
monstro começou a atirar. Um porque ninguém é bobo e dois porque asas pra que
te quero. O projétil da coisa era uma mistura de míssil teleguiado, laser e
fogos de artifício. Todo mundo correndo, voando a milhão, com as asas quase
caindo de tanto esforço, quando POW um barulho de estouro e um grito. Um dos nossos
foi abatido. POW! POW! Foram mais dois! Em menos de dez minutos vários caíram.
Tivemos que bater em retirada, ele era muito forte. Se estou vivo hoje e
contando essa história pra vocês, crianças, é porque eu sou um sobrevivente.
Graças aos céus só tive um arranhão na asa pra provar. Agora, vamos dormir
porque amanhã é outro dia de luta, o monstro ainda está a solta.
23 de setembro de 2020. Manhã. Casa da
fazenda.
O dono da fazenda estava conversando com
o agrônomo.
- Então, como está sendo a experiência com
esse drone para eliminar mariposas? Está valendo os milhares de reais?
- Olha, vou ser bem sincero. Tem dado
resultado, mas ainda precisa de alguns ajustes. As mariposas ficam muito
agitadas na presença dele.
- Bom resolver logo, Araújo. Tempo é
dinheiro.
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