Pseudofruto
Muito é dito pelo fruto proibido, do prazer e do conhecimento adquiridos ao ingeri-lo, mas qual seria o pseudofruto proibido? Qual sua representação? O prazer quase sexual de comer algo saboroso ou de saborear com os olhos aquela pessoa específica? Se o fruto é algo tangível, o pseudofruto seria puramente fruto da imaginação?
É contraditório esse fruto ser representado por uma maçã, um pseudofruto. Além do sensual morango, também ser um pseudofruto. Dentre pera, uva e maçã, apenas a uva se garante na botânica. Não se pode dizer o mesmo do social. O que um beijo no rosto perto da salada mista do desejo? Que desejo é ruim ao ponto de ser martirizado? Ora, se o fruto estava lá, ele estava disponível para o consumo.
Talvez a serpente tenha mencionado consumação e os humanos confundiram-se. Como consumação, se tudo aqui é gratuito? Ou - quem sabe? - usaram como desculpa para o precioso sexo de domingo preguiçoso. Pernas e braços fundindo-se no outro e no sofá, a admiração do ócio alheio e o pensamento "como pode alguém ficar tão gostoso, prestes a encontrar Morfeu, enquanto um time aleatório da série B está perdendo?".
Pouco parece ser retratado o tesão do cotidiano, ver o parceiro lavar uma louça, ler um livro, comentar de maneira animada e nerd sobre o conteúdo literário ou qualquer outro interesse. Será mesmo que é tão pecaminoso provar do doce e suculento? Sentir a paixão, o calor e o desejo do outro, como prova do sentimento mais puro que existe. A partir dele, as melhores canções de Djavan foram escritas, sendo, talvez, o verdadeiro pseudofruto. Será isso também o que Liniker quis dizer em "CAJU?".
Provavelmente, a solução seria legalizar a salada de pseudo- e eufrutos.
Comentários
Postar um comentário